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Sentada em uma cadeira de balanço

Ontem ao meditar e pesquisar sobre algumas questões referentes ao cansaço, ouvi em uma preleção o seguinte: “você está tão cansado, cansado de tudo, de todas as coisas e se encontra sem forças para nada e não percebe que esse cansaço todo é porque está sentado em uma cadeira de balanço”.

E aí fiquei imaginando a cena, euzinha sentada em uma cadeira de balanço… E lembrei de uma vez que fui a trabalho para a bela Fortaleza e no apartamento que fiquei tinha uma cadeira de balanço na varanda de frente para o mar, na Praia de Iracema. Cena linda não? Então, após o primeiro dia de trabalho cheguei e sentei ali e fiquei balançando e admirando a vista do mar. Fiquei horas ali pensando na vida… e sabe o que aconteceu? O tempo passou, eu fiquei com as pernas doendo, não fiz o relatório que eu precisava fazer e entregar nos próximos dias.

Porque é assim que funciona, no começo nos divertimos balançando a cadeira para frente e para trás. Depois começamos a pensar em outras coisas e o empurrar para-frente-para-trás vira um movimento automático… Depois de um tempo, estamos com as pernas doendo e forçando a parte de cima do corpo para ir para frente e para trás para ter um novo impulso na cadeira.

Essa cena remete exatamente à citação do início do texto… Muitas vezes nos cansamos de forma exagerada porque ficamos fazendo esforços parados no mesmo lugar, sem evolução, sem sair do lugar.

Gastamos nossas energias em algo que já não é benéfico a médio e longo prazo. Só é bom ficar balançando por alguns instantes, minutos. Depois de um tempo só nos tira a vontade de fazer outras coisas, nos deixa apáticos. Essa situação vai sugando a nossa vida e passamos para um estágio de sobrevivência, onde qualquer movimento mais brusco ou mais rápido pode nos machucar mais ainda, onde cada ação é feita da forma mais fácil e rápida para que possamos voltar ao ‘balançar da cadeira’.  Ficamos assim, um longo tempo ali, balançando pensando em tudo e ao mesmo tempo pensando em nada… E a vida vai passando. Tudo acontece ao nosso redor e nós continuamos ali, muitas vezes só olhando a vida pela janela e na maioria das vezes até reclamando do ‘barulho’ de vida ao nosso redor.

Se a cadeira não quebrar, ou acontecer algo que nos tire totalmente desse balanço, podemos passar muitos anos de nossa vida nessa postura e um dia, nossos músculos estarão atrofiados e nós não lembraremos onde gastamos nossa vida, onde usamos nossos talentos, o que realmente vivemos.

Até pode vir alguém e de forma forçada nos tirar dali, mas se não quisermos sair, encostaremos no primeiro lugar possível, até mesmo no chão, e continuaremos naquele estado de torpor, que pode ser uma indisposição para fazer qualquer coisa, alienado a tudo o que acontece ao redor, uma falta de ânimo e até falta de vontade de viver.

Cuidado para não ficar balançando na cadeira, vagando pelos acontecimentos do passado ou pelas coisas que poderiam ter acontecido… Sentindo raiva, ressentimento, tristezas imensas, culpa, vergonha e todo tipo de sentimento ruim. E um dia, perceber que o tempo passou e você pouco aproveitou da vida. Sair do balanço e viver a vida e tudo o que ela nos proporciona só depende de nós mesmos. Somente nós podemos nos tirar da cadeira. É uma decisão individual.

Se você se sente assim, cansada de tudo, vendo a vida passar ao seu redor, tome a decisão de mudar essa situação hoje. Encoste a cadeira de balanço em um canto para usar quando você tiver 99 anos e um bisneto balançar a cadeira por você. Enquanto essa idade não chega, levante e vá viver a vida.

Vá viver sua vida com tudo o que ela tem – tristezas, perdas, dificuldades e lágrimas, e também alegrias, ganhos, conquistas e risos.
Ah sim… De vez em quando você sentirá uns balanços que nos sacodem e nos fazem mudar de rota… mas isso é a vida!

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